Inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) no Mercado de Trabalho
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Durante décadas, as profissões foram construídas como uma escada, eu mesma comecei como estagiária que ia ao Fórum verificar cada andamento de processo. Todo iniciante começava pelas tarefas mais repetitivas, pesquisava, conferia, revisava, preenchia, comparava, preparava as primeiras versões de um documento ou de uma decisão. Era um trabalho menos sofisticado, mas não inútil: era exatamente ali, repetindo e errando nas tarefas simples, que a pessoa aprendia a reconhecer padrões, notar exceções e, com o tempo, desenvolver um julgamento.
Pulando para os dias atuais, vemos que a inteligência artificial começa a retirar justamente os primeiros degraus dessa escada.
Duas notícias recentes ajudam a medir o tamanho da mudança. Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou, desde o ano passado, que a IA pode eliminar até a metade dos empregos intelectuais de entrada nos próximos anos e voltou a reforçar esse alerta no início de 2026. Há poucos dias, a Tesla apresentou oficialmente o Cybercab operando nas ruas de Austin, mostrando que a automação avançada não fica restrita ao trabalho de escritório: ela também está chegando a tarefas físicas, como dirigir. E o que será dos motoristas de táxi e aplicativos daqui alguns anos?
Mas a discussão não deveria se limitar a quantos empregos serão eliminados. Para quem gerencia uma empresa ou um escritório, a pergunta mais urgente que deve ser feita é outra: como redesenhar carreiras, responsabilidades e processos de formação num mundo em que os primeiros degraus estão desaparecendo.
Isso traz pelo menos três consequências que vale a pena olhar de frente.
A primeira é que a empresa poderá contratar menos iniciantes. Isso reduz custo no curto prazo, mas pode destruir, sem que ninguém perceba a tempo, o próprio sistema de formação que produz os seniores de amanhã.
A segunda é que o profissional experiente vai ficar mais produtivo, apoiado pela IA nas tarefas que antes consumiam horas de um estagiário ou associado. Por outro lado, essa mesma pessoa pode ficar sobrecarregada se toda decisão que exigir julgamento humano passar a chegar direto a ela, sem ninguém abaixo para fazer a triagem inicial.
A terceira, e talvez a mais importante: a responsabilidade não se automatiza. A IA pode redigir a peça, selecionar o candidato ou sugerir a cláusula contratual. Ainda vai ser preciso alguém definido para validar essa saída e responder por ela perante o cliente, o conselho ou a lei.
A empresa do futuro não será aquela que vai simplesmente substituir pessoas por tecnologia. Será aquela capaz de decidir o que deve ser automatizado, o que ainda precisa ser aprendido por seres humanos, e como formar especialistas numa estrutura em que os primeiros degraus da carreira estão desaparecendo.
Conteúdo informativo, de caráter geral, que não substitui a análise individual do caso por um profissional.

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